|
Lua Rosa Burra Para sempre eu vou querer dançar contigo Paulet's!!!! Obrigada, precisava mesmo ouvir pedacinhos de doçura, assim como ver esses pedacinhos num suingado de Filhote. Vocês são algo que ao mesm tem não entendo mas compreendo. Taí a tal de identidade. Vocês têm profundezas que desconhecem, e eu também as minhas, e parece que elas se encontra lá na origem. Como retas paralelas que se cruzam em algum momento. Nós. Eu escrevi um texto ontem, mas a apaguei. Estava bêbada... Enfim, vou só colocar aqui um fato que me entristece: Se fores falar num ouvido que não o meu, use outra poesia, mas não aquele que te ensinei ouvir com minhas palavras. Fico triste em saber que coisas que eu tanto gosto, e que significam para mim, sejam passadas de mão em mão. Digo isso porque tenho a lua em câncer e isso é uma droga. Escrito por Drika Escher às 05h09 [] [envie esta mensagem] Nostalgia e um pouco de ranço cuzão natalino... A tristeza de terminar um livro que não tem última oração se compara ao fim de um romance fictício de namoro, ao qual o amor fisga o pé com o peso de uma ancora enquanto o navio corre para outro porto.
Da página 131 volto para a 58. Da 58 para a 131. E assim, os finais são repetitivos e de inquestionáveis finalidades. Não há final que baste um livro de tamanha profundidade (que acaba num poço de elevador de hospício cheio de trapos coloridos, baratas e umidade). Eu não me basto de querer ruminar cada frase ao pé da cama e traduzir as músicas em alguma outra melodia criada para acompanhar uma poesia intangível . Deliciosamente dolorido e belo. Vênus co-rroendo aos dentes uma saliva espessa como grão de areia. So sou como el chilly verde, yorona, Picante pero saboroso. Eu não basto, e nisto o livro reflete feito espelho d’água, naturalmente distorcido pelo ponto de vista mais próximo. Um narcisismo ao contrário, que quer se tocar para matar a si próprio. Um desejo de busca contínua, sem parada em fila de bancos ou pontos de ônibus. Os cabelos encobrem o que tenho sido ultimamente, e já não espaço para um olho mágico saltar das mechas e ter a nítida visão de que procura algo, algo de dentro, um não conhecimento sobre todas as coisas que une a humanidade. Retorno à procura cíclica, procurar-esconder-procurar-achar-resconder. O espelho o quanto de mim é absorvido e o quanto atravessa para o lado de lá. Pause. Chove muito e o vento demora 15 minutos para ir levar chuva de casa a São Caetano. Quantos quilômetros têm de cá a lá? Quem for das exatas, aí estão dados, divirtam-se. Mas não era isso que eu pensava. Play. Pensava nas identidades das coisas. De um mundo de coisas que suspiram, mas não tem vida. (creio que o cata-vento vezes gira só para fazer birra àquilo que chamo sossego).
Estou na véspera de Natal. No forno está um tender dourado que acabo de molhar com mel. É o segundo ano que faço tal prato, talvez por que seja fácil. No ano passado não foi tão fácil, eu era vegetariana e preparar um pedaço de presunto foi complicadíssimo. Algo como cortar o dedo do pé e untar com mel e servir com frutas escaldantes. A técnica de fazer tender é simples. Retire da embalagem, espere descongelar, corte com uma faca uma diagonal, depois trace outras paralelas, nem fundas, nem tão superficiais, um bisturi. Depois trace paralelas ao contrário, formando losangos - veja bem, losangos, não quadrados. O tender parece um arlequim que se deu bem na vida, comeu horrores e acabou indo para o espeto por ser assim, tão esperto. Depois em cada retalho, finque cravos, deixando cada parte com ar galante. Despeje meeeeeeeeeeeeelll e asse. Depois decore como se fosse primavera em calda. Pronto. Leve a mesa de Natal. Comam. Façam troca de presentes do amigo oculto. Droga, voltei a questão inicial. Quem me tirou, sabe quem sou? Como?(!), se nem eu sei ao certo... E eu, de que modo sei o que se passa dentro do ser ao qual comprei um presente que não lhe serve como indício de esperança. Uma piada. Como se trocar presentes fosse tocar alguém, compartilhar algo de desconhecido em nós, algo de pré-humano, pós-humano, intra-humano... Fingindo que hoje é tudo tão belo como o comercial de margarinas por entre décadas. Aposto que alguns gostariam de beliscar uns aos outros, só pra ver o sabor que tem. Piada, pelo menos as crianças riem. Desejo hoje que uma boa alma lhe dê um bom motivo para lhe tirar as certezas que pensas possuir.Que hoje se comemore não o nascimento de um salvador, mas de perguntas sobre o que é salvar alguém. Escrito por Drika Escher às 17h01 [] [envie esta mensagem] Dinorah + Gordo Pelos e cantos pelos cantos da casa. Escrito por Drika Escher às 22h09 [] [envie esta mensagem] primeira infância A janela abocanhava nuvens e meus pés não firmavam ainda solo Uma rede verde, um armário com espelho ouvi um vaga-lume-anjo-ser mas não o vi era dia nas minha lembranças
Escrito por Drika Escher às 09h51 [] [envie esta mensagem] sapólio Coaxando o sapo deixou de achar graça na vida. Uma mosca dando voltas deliciosamente brownianas sob seus olhos e sua língua estática, enrolada, uma espécie de serpentina antes do carnaval. Lagoas de cinzas: “Ô jardineira por que está tão triste? Achastes um sapo que não se acha sobre as margaridas que criastes?” Em vão. Um vão. Dois vão e ele fica. O carnaval já tinha passado...Fora feliz? Foi. Não foi. Foi. Não foi... Uma sinfonia de co-achados úmidos saltavam pedras escorregadias e se afogavam num lago reflexivo. Escrito por Drika Escher às 20h22 [] [envie esta mensagem] choveu e inundou tudo Pirilim pim pim pingo no olho se fez lágrima. Escorreu correu correu correu e não chegou em lugar nenhum. Escrito por Drika Escher às 18h12 [] [envie esta mensagem] Distraídos venceremos! - ou, movimentos do dia inse(r)to
I Andando de vagar por aí Olhando as pontas dos pés Na grama miudinha de gasta Prende-se em minha testa Uma aranha. Uma aranha! Teiamo-nos: Ela brincando de se suicidar Pulando da palma da minha mão Num leve fio aço E subir feito ioiô. Eu brincando de ser gigante Pão-de-açúcar, marionete de teia II Borboleta laranja na flor amarela Bate devagar as asas Suga comprido O sol das pétalas Eis que distraída Nem viu que a flor amarela brotava Das linhas da minha mão Eu brincando de ser dela, Movimento de borboleta, haste pulsante... Bate asas, bate ligeiro Que o coração também avoa...Escrito por Drika Escher às 02h32 [] [envie esta mensagem] lamentos de um cupido irresponsável Por mim, o amor passou feito borboleta. Tentei pegá-lo com minha rede de sonhos, emoldurá-lo num quadro para a apreciação, um relicário. Não deu. O amor era maior que a casa que construí para ele, e livre demais para conseguir guardá-lo dentro dos meus mesquinho planos. Passou. A muito custo, percebi que ele não é a borboleta em si, mas sim o movimento de suas asas. Aliás, o amor é o movimento, seja lá de qual matéria. Não consegue ficar parado, sua essência é a mudança, a transformação. Um ponto está sempre parado quando sozinho, mas em relação a outro ele muda, ganha sentido, direção, e pode se mover. Vira ação. É cata-vento dançando, unha crescendo, lua minguando, botão mudando em flor, água -sobretudo é o movimento das águas: baba marejando na boca, suor escorrendo no corpo, lágrimas surgindo orvalhada... Passou. Hoje o mundo se move e eu estática. Chove, e eu intacta. Desertificação. ps. sementes precisam secar antes de germinarem. Uma semente de girassol caiu da boca do papagaio na pia. Do ralo surgiu um pé de girassol que saiu pela janela. Um dia haverá sol. Escrito por Drika Escher às 11h58 [] [envie esta mensagem] inquietação Peixes dourados deslizando pelo céu azul Linhas vertiginosas unindo as estrelas Um carpado, via-láctea eeu sem rede para balançar os sonhos... Escrito por Drika Escher às 21h31 [] [envie esta mensagem] um dia chato... Socorro Socorro, não estou sentindo nada. Socorro, alguma alma, mesmo que penada, Socorro, alguém me dê um coração, Qualquer coisa que se sinta, Socorro, alguma rua que me dê sentido, Escrito por Drika Escher às 23h32 [] [envie esta mensagem] passarim Do barro, como Deus, joão-de-barro constrói a morada. E depois, João, que acaba sua vida, pra quem fica a casa inabitada!? Será que outro passarinho qualquer se aproveita do dom de joão e rouba-lhe a casa oca? Ou será que outro João, invade a construção, com toda malícia de uma cigarra que toca... Será que o barro se desfaz, será que "Joões" não morrem!? Talvez o barro vire gente, contigente de meninos joões perdidos pelo mundaréu de cinzas ruas... Um punhado de meninos filhos de casas de passarinho piando de frio e asas cortadas. Enfim, ninguém mais lê o que escrevo. Vou acabar, acho,com esse blog... Nunca há comentário, nem de elogio, nem de crítica, nem de nada... Meus escritos serão casas de barro que abandonarei.
Escrito por Drika Escher às 16h56 [] [envie esta mensagem] beber, questão de ideologia Num mundo coisificado, onde as relações são circuntânciais e rasas, um trio de paladinos resolve se unir a favor de uma sociabilidade sincera. Através do contato verdadeiro dos indivíduos, em sua mais complexa profundidade, resgatar o conceito de Humanidade. Lá pá quarta-feira os eixos saem do lugar, e através da desordem retiram as máscaras sociais e deixam exaurir o estado de plenitude do ser humano. Nossa Senhora da Lapa ( Socióloga Paulistana Boêmia - desde 503d.C. utiliza o tratamento "Nossa" devido a sua tese do ser humano universal que pertence a todas as coisas - "As Santas de Pau Oco" ed. pós-moderna, cap. 24 ao 44) Dedicado a Paulinha Rosa e Felipinho Filhote, meus eternos amigos ideais. Escrito por Drika Escher às 01h26 [] [envie esta mensagem] Repouso das asas no ar. Lá de cima São Paulo parace o côncavo cristalino de uma ametista cortada em duas. Cintila oscilante, ofuscando a vista enquanto plano num colchão de nuvem... Um ponto, uma linha, uma quadra, um mini-prédio, uma antena, uma janela, vários carros e re-pouso. Rio, cidade desconhecida ainda mesmo tendo eu ali estado. Estado? Outro, com certeza. Se fosse Rosa, diria que a vidaé um rio, e o rio uma forma de metafísica que só os jacarés conhecem. Não pegeui jacaré, talvez por isso minha ignorância. Devido a instância, subi até o pé do Cristo. Ele abre os braços para quem?? Voar, abraçar, se suicidar de cabeça na Guanabara? Talvez alongando pra nadar até o Norte e beijar a Liberdadee formar uma ilha- que talvez Saramago desconheça fingidamente... Lua de mel com Cortázar, pensamentos em cafés argentinos de móveis antigos, vontade de sai sem rumo e dar por mim de frente a Maga ou Oliveira, mesmo que diante a um espelho, desejo de pular do capítulo 7 ao 68 e sussurar obscenidades na orelha de alguns livros e parir minha autoria própria de palavras volúveis. Escrito por Drika Escher às 17h11 [] [envie esta mensagem] mini ode a comida fria Ó comida fria que me sacia nesses dias de preguiça aguda onde o fogão obsoleto nem pisca mais e o microondas ainda tenta uma leve sedução em vão... Não! Comida é como vingança: fria é que se percebe a bonança! Nada como retirar o papel filme, o a tampinha do tapeware ou do vidro e sentir o geladinho tocar primeiramente as mãos arrisco e depois os lábios... Um beijo pingüim de geladeira ò comida fria, o que faria sem ti? Desça pelo meu tubo digestivo como uma pedra de gelo de arte-comtemporrânea refresque a camada interna de minha epiderme preenchendo friamente a mente e o corpo dessa sua serva! Só tu conhece-me o suficiente por dentro! Só tu conhece as inversões térmicas! Só tu, tens como Majestade o imperial Sorvete!!! Ambrosia digna de todos os Deuses!! Salve, ó comida fria!
Escrito por Drika Escher às 13h39 [] [envie esta mensagem] Dinorah dorme esticada no lençóis embaraçados da minha cama. O sol toca-lhe a ponta da orelha esquerda em convite. O sol toca-lhe e ela dorme. Enquanto isso, eu sonho com manhãs em que ela o prenderá entre suas garras e brincará de iluminar os cantos da casa nossa... Raios de luzes solares espalhados pelo chão, enroscando nos pés das gentes que por cá passarem, escondidos embaixo dos tapetes. De presente, o sol e as manhãs pulando sobre os móveis mais altos do pensamento. Ronroando fundo de mar e acariciando a Terra para sermos donos um dos outros...
Não estava escrevendo. A beleza as vezes é maior que qualquer tenatativa de poesia. Escrito por Drika Escher às 12h05 [] [envie esta mensagem] |
||
![]() | ||