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Lua Rosa Burra
Sabe de uma coisa, eu sei voar, e,para quem o sabe, há milhares de horizontes...
Escrito por Drika Escher às 09h12
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Ontem a noite pedaço de nuvem fria me serviu de travesseiro, pensamentos gelados e distantes
Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada, e tiritam, azuis, os astros lá ao longe". O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Eu amei-a e por vezes ela também me amou. Em noites como esta tive-a em meus braços. Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava. Como não ter amado os seus grandes olhos fixos. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela. E o verso cai na alma como no pasto o orvalho. Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la. A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta tive-a em meus braços, a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa, e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
Pablo Neruda
Saudade. Amor. Raiva. Tristeza. Solidão. Dúvida. Carinho. Vontade. Medo. Dó. Dor. Tudo está misturado numa pasta cinza sem cor nem cheiro ou sabor. Está tudo rodando em círculos viciosos, enquanto sustento a face neutra para os afazeres que tenho como responsabilidade. Horas me acalmo e penso que logo encontrarei o caminho, outras me desespero, eu já tinha escolhido o caminho que gostaria de seguir. Olhei ontem a noite para o céu, vi uma estrela, e acreditei que ainda há um caminho, nada fica tão escuro com estrela, mas em pouco tempo ela cansou sumiu... Até ela quis me deixar sozinha, com meus atos e fatos e retratos... Estou juntando meus cacarecos, separando o bom do ruim e guardando aquilo que faz bem. Com menos peso nas malas, a viagem fica mais tranqüila. Mesmo assim, não quero partir. Gosto d ever as casas como vejo hoje, assim como ouvir os sons do mundo a cores. Parece que eu tinha a nitidez dos olhos infantis, e hoje um certo desdém dos olhos adultos. Peter Pan voa de volta para a Terra do Nunca, em busca da eternidade dos dias em que o jardim cresça mais do que o concreto. Uma coisa errei no meus sonhos, ela não era Sininho, a companheira leal de peter, era Wendy, a garota que sofreu por deixa-lo, pois o amava, mas teve medo de agüetar a barra do infinito. Preferiu crescer, com uma história de começo, meio e fim. Agora estou com dúvidas, gostaria de não ter acreditado em fadas, pois mesmo acreditando, elas desaparecem...
Escrito por Drika Escher às 11h42
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Ventre doendo em nó, como um aborto de mim mesma.
Por que parto?
Ai
(Kléber Albuquerque e Tata Fernandes)
deu meu coração de ficar dolorido arrasado num profundo pranto deu meu coração de falar esperanto na esperança de ser compreendido deu meu coração equivocado deu de desbotar o colorido deu de sentir-se apagado desiluminado desacontecido
deu meu coração de ficar abatido de bater sem sentido meu coração surrado deu de arrancar o curativo deu de cutucar o machucado deu de inventar palavra pra curar de significado o escuro aço denso do silêncio do coração trespassado
Escrito por Drika Escher às 14h07
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