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Distraídos venceremos! - ou, movimentos do dia inse(r)to

 

 I

Andando de vagar por aí

Olhando as pontas dos pés

Na grama miudinha de gasta

Prende-se em minha testa

Uma aranha.

Uma aranha!

Teiamo-nos:

Ela brincando de se suicidar

Pulando da palma da minha mão

Num leve fio aço

E subir feito ioiô.

 

Eu brincando de ser gigante

Pão-de-açúcar, marionete de teia

 

II

 

Borboleta laranja na flor amarela

Bate devagar as asas

Suga comprido

O sol das pétalas

Eis que distraída

Nem viu que a flor amarela brotava

Das linhas da minha mão

 

Eu brincando de ser dela,

Movimento de borboleta, haste pulsante...

 

Bate asas, bate ligeiro

Que o coração também avoa...

Escrito por Drika Escher às 02h32
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lamentos de um cupido irresponsável

Por mim, o amor passou feito borboleta. Tentei pegá-lo com minha rede de sonhos, emoldurá-lo num quadro para a apreciação, um relicário. Não deu.  O amor era maior que a casa que construí para ele, e livre demais para conseguir guardá-lo dentro dos meus mesquinho planos. Passou. A muito custo, percebi que ele não é a borboleta em si, mas sim o movimento de suas asas. Aliás, o amor é o movimento, seja lá de qual matéria. Não consegue ficar parado, sua essência é a mudança, a transformação. Um ponto está sempre parado quando sozinho, mas em relação a outro ele muda, ganha sentido, direção, e pode se mover. Vira ação.  É cata-vento dançando, unha crescendo, lua minguando, botão mudando em flor, água -sobretudo é o movimento das águas: baba marejando na boca, suor escorrendo no corpo, lágrimas surgindo orvalhada...

Passou.

Hoje o mundo se move e eu estática.

Chove, e eu intacta.

Desertificação.

ps. sementes precisam secar antes de germinarem.

Uma semente de girassol caiu da boca do papagaio na pia.

Do ralo surgiu um pé de girassol que saiu pela janela.

Um dia haverá sol.



Escrito por Drika Escher às 11h58
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